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A ENXADA E A CANETA

Composição: Capitão Barduíno e Teddy Vieira
Interpretação: Zico e Zeca
MIDI
Certa vez, uma caneta
Foi passear lá no Sertão
Encontrou-se com uma enxada
Fazendo uma plantação
A enxada, muito humilde
Foi lhe fazer saudação
Mas, a caneta soberba
Não quis pegar na sua mão
E, ainda, por desaforo
Lhe passou uma repreensão:
Disse a caneta prá enxada:
- Não vem perto de mim, não!
Você está suja de terra
De terra suja do chão
Sabe com quem está falando?
Veja sua posição
E não esqueça a distância
Da nossa separação
Eu sou a caneta dourada
Que escreve no tabelião
Eu escrevo pros governos
A Lei da Constituição
Escrevo em papel de linho
Pros ricaços e pros barões
Só ando nas mãos dos mestres
Dos homens de posição
A enxada respondeu:
- De fato, eu vivo no chão
Pra poder dar o que comer
E vestir o seu patrão
Eu vim no mundo primeiro
Quase no tempo de Adão
Se não fosse o meu sustento
Ninguém tinha instrução
Vai-te caneta orgulhosa
Vergonha da geração
A tua alta nobreza
Não passa de pretensão
Você diz que escreve tudo
Tem uma coisa que não:
" É a palavra bonita...
que se chama Educação! "
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