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ABISMO DE ROSAS

Composição: Canhoto (Américo Jacomino) e João do Sul

MIDI

Ao amor em vão fugir, procurei
Pois tu, breve, me fizeste ouvir tua voz
Mentira deliciosa
E, hoje, é meu ideal um abismo de rosas
Onde a sonhar eu devo, enfim, sofrer e amar
Mas, hoje, que importa se tu'alma é fria
Meu coração se conforta na tua própria agonia

Se há no meu rosto um rir de ventura
Que importa o mudo desgosto
De minha dor, assim, sem fim
Se minha esperança, o que não se alcança
Sonhou buscar
Devo calar, hoje, o meu sofrer
E jamais dele te dizer
O amor se é puro suporta obscuro
Quase, a sorrir, a dor de ver
A mais linda ilusão morrer

Humilde, bem vês que vou
A teus pés levar
Meu coração que jurou sempre 
Ser amigo e dedicado
Tenha, embora, que viver
Neste sonho enganado
Jamais direi que, assim, vivi
Porque te amei

Ao amor em vão fugir, procurei
Pois tu, breve, me fizeste ouvir tua voz
Mentira deliciosa
E, hoje, é meu ideal um abismo de rosas
Onde a sonhar eu devo, enfim, sofrer e amar
Mas, hoje, que importa se tu'alma é fria
Meu coração se conforta na tua própria agonia

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